Jovens ganham cada vez mais dinheiro na rede
Diário de S. Paulo
21/4/2012
Jovens ganham cada vez mais dinheiro na rede
A nova geração prova que a internet também é lugar de trabalho, com garantia de bons lucros
CAROLINA BATAIER
Há cinco anos, a publicitária Roberta Neves, 32 anos, e o webdesigner Antonio Delgado Neto, 38, tiveram uma ideia: montar um site de venda de camisetas para adultos, com estampas baseadas em bandas de rock.
Um dia, fizeram uma peça para um sobrinho e então perceberam que, estendendo os produtos para o público infantil, poderiam ter sucesso.
Deu certo e, atualmente, eles produzem apenas peças destinadas à crianças de até 10 anos. O diferencial: todos os produtos são divulgados, encomendados e vendidos pela internet.
“Trabalhamos com internet já faz cinco anos, com a loja virtual. Está dando muito certo”, comemora Beta.
Além do site onde as peças são expostas, o casal usa o Facebook para atrair clientes, divulgando produtos e promoções. O site é a principal fonte de renda da família – Beta e Neto têm a filha Manu, 7 meses.
“Não troco isso por nada, por chefe nem ambiente corporativo. Trabalho em casa e cuido na Manu”, diz a publicitária.
Patrão / Rafael Pincelli, 24, já foi personagem de matéria no BOM DIA. Na época, ele havia lançado um site de jogos só para meninas e, gerenciando ainda outros sites na mesma linha, se firmava como empresário on-line. Agora, Rafael trabalha para potencializar seus negócios.
“Contratei uma consultoria para otimizar os sites e atrair mais visitas”, conta.
Rafael fez faculdade de jornalismo, mas não chegou a exercer a profissão.
Em 2005, ele era funcionário de uma empresa de gerenciamento de jogos online, em Bauru. Percebendo seu talento para lidar com esse tipo de trabalho, decidiu montar seu próprio site de jogos. Em três meses, o site já rendia três vezes mais do que ele ganhavam por mês na empresa.
Rafael decidiu, então, pedir demissão e se dedicar ao site. Hoje, ele coordena dez sites de jogos online.
O trabalho garante dinheiro suficiente para que o rapaz possa pagar contas, se divertir e ainda pagar quatro funcionários terceirizados que trabalham à distância, auxiliando-o a manter os sites.
O dinheiro vem de anúncios colocados nas páginas. Muitos dos anunciantes são marcas famosas, como Coca-cola ou Disney.
O rapaz calcula que seu salário tenha aumentado cerca de 40 vezes em comparação ao que ganhava na empresa onde era funcionário.
Apesar de consolidado, ele segue pesquisando e buscando sempre melhorar os serviços oferecidos.
“Como qualquer outro trabalho, tem rotina e precisa de atenção. Contratei uma empresa de consultoria para reformar o site e a nova versão sai mês que vem.”
Investidor dá dicas para novos
Cassio Spina, autor do livro “Investidor-Anjo: Guia Prático para Empreendedores e Investidores”, dá dicas para startups.
Venda as ideias de forma concisa e clara
Segundo Spina, a startup que busca dinheiro deve primeiro elaborar sua apresentação ao investidor de forma clara e concisa. Uma apresentação de 2 a 3 minutos é o ideal.
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É o número de empresas brasileiras em 2009 com dinheiro de fundos de private equity ou venture capital
Quatro pontos são essenciais na apresentação
Na ideia, não pode faltar: o mercado-alvo e a necessidade atendida; como o produto/serviço atenderá esta necessidade; sua inovação/diferenciação e o potencial do negócio.
Mais detalhes podem vir em seguida da apresentação
Após a apresentação inicial rápida o empreendedor pode mostrar um documento de 1 a 2 páginas que contém as informações básicas do modelo do negócio e da empresa, incluindo seus sócios e equipe.
Jovens descobrem mina de ouro com o mundo da internet e fazem fortuna
Um jovem programador começou sua empresa em 2006 gastando apenas US$ 16 (cerca de R$ 30) por mês e hoje já atua em todo o país e no exterior, além de já ter recebido mais de US$ 5 milhões em investimentos.
Você pensou que essa história é mais uma de sucesso do Vale do Silício, nos EUA, celeiro de empresas bilionárias de tecnologia e internet? Não é. As chamadas startups também começam a virar realidade no Brasil, tudo regado a muito dinheiro (saiba mais ao lado).
Marco Gomes, 25 anos, é fundador da boo-box, pioneira empresa brasileira de tecnologia de publicidade e m mídias sociais. Em dezembro de 2006 ele era estudante de computação da UnB (Universidade de Brasília) e trabalhava como coordenador de uma equipe de programadores. “Percebi que havia um espaço de mercado na época, a publicidade online em redes sociais. Por isso larguei tudo e formei minha empresa em São Paulo”, conta.
Ele juntou suas economias, desenvolveu sua ideia em um site e gastava no começo só R$ 30 na hospedagem. Aos poucos ele foi mostrando sua ideia para investidores, melhorou a gestão de sua empresa e começou a crescer. Hoje, o negócio já conta com 75 funcionários , também atua na Argentina e produz 3 bilhões de anúncios por mês.
Marco Gomes é um bom exemplo de um negócio que cresce no Brasil. Os jovens brilham os olhos para este modelo.
Já Renato Fonseca de Andrade, especialista em inovação, empreendedorismo e redes sociais do Sebrae-SP, afirma que o país vive uma convergência de vários fatores que estão ajudando a proliferação de startups.
“As universidades acordaram para o empreendedorismo, os investidores têm o Brasil como alvo preferencial, a massificação da internet permite o acesso de um produto a milhões de pessoas, enfim, é um ecossistema que vai crescer ainda mais”, diz.
‘Peneira’ de fundos é bem criteriosa
Os fundos de investimento que apoiam as startups no país recebem recursos de investidores nacionais e estrangeiros, como bancos, fundos de pensão e investidores individuais. O retorno vem quando as empresas crescem e são vendidas depois de alguns anos, por valores bem maiores do que foram investidos. Como o dinheiro dos fundos vai para várias empresas o risco é diluído, as empresas mais lucrativas compensam as de menos sucesso.
Uma das mais importantes gestoras de fundos de investimentos do Brasil é a Confrapar, que possui R$ 90 milhões disponíveis e mais R$ 200 milhões em prospecção para investir em empresas. Atuando desde 2005, ela já investiu cerca de R$ 35 milhões em novas empresas brasileiras focadas em tecnologia, como mídia, internet, jogos e mobile.
Carlos Eduardo Guilhaume, diretor executivo e sócio-fundador da Confrapar, conta que há uma “peneira” grande antes das empresas serem selecionadas. “Nesses anos, analisamos pouco mais de 2 mil empresas e nove receberam investimento. A diferença é tão grande porque procuramos empresas com foco, modelo de negócios adequado, empreendedores com ideias inovadoras, que saibam porque pedem o dinheiro”, explica.
O dinheiro disponível dos fundos cresceu nos últimos anos. Segundo o Centro de Estudos em Private Equity e Venture Capital da FGV-EAESP, no início de 2005 existiam no Brasil 71 organizações gestoras com não mais do que US$ 6 bilhões em veículos de investimento (fundos). Ao fim de 2009, já eram 144 gestores que administravam comprometimentos de capital de US$ 36,1 bilhões.
Link: http://www.diariosp.com.br/noticia/detalhe/19427/Jovens+ganham+cada+vez+mais+dinheiro+na+rede
21 de abril de 2012
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